
Um barulho de goteira me fez acordar, meio atordoada percebi que estava sangrando, mas minhas forças não eram tamanhas para protestar ou pedir ajuda. Com os olhos fechados pensava positivamente. Algum tempo depois, talvez uns dois segundos, senti mãos frias ao meu redor, e uma voz que dizia para eu me acalmar.
Ainda inconsciente ouvia uma voz baixa que perguntava a outra pessoa:
“– Quanto tempo que ela sofre com essa doença? Ela fazia algum tratamento?”.
Que doença é essa da qual tanto falam? O nó em minha garganta segurava um choro que não queria sair, esse nó me sufocava com muita força até finalmente aos poucos, conseguir abrir meus olhos.
Virei o olhar em direção aos meus filhos, que com os olhos inchados me abraçaram. De meu lado direito havia um médico; finalmente havia percebido, estava em um hospital!
Após aquele dia, idas e voltas da UTI eram minha rotina semanal, já me sentia exausta e precisava saber o que estava acontecendo. Briguei com meus filhos exigindo respostas, até que eles resolveram me contar.
O motivo de estar a três semanas no hospital foi por causa de uma doença chamada Leucemia, que já carregava em mim já faz um tempo, mas que só agora estava se manifestando. Essa doença havia afetado as plaquetas de meu sangue, e o único tratamento era um transplante de medula óssea. O médico me explicou que aquele transplante era muito raro, pois poucas pessoas se dispunham a doar. Meus pensamentos vagavam a tona.
Já se passava um mês e era meu aniversário de quarenta anos, meus filhos, enfermeiras e meu médico Dr Roberto se reunirão em volta de mim com presentes e votos de felicidade e saúde. Não conseguia mais levantar e falava pouco, já havia pegado vários tipos de infecção, o que apenas agravava meu caso. Recebi os presentes apenas por educação; a única coisa que me importava agora era a presença de meus filhos, esse era o meu maior presente, o que me fazia querer lutar, querer viver. Esse meu amor me fez continuar viva, cada beijo e cada palavra de afeto que recebia de cada um deles apenas me dava motivos para agradecer a Deus por tê-los do meu lado.
Os dias se passaram e nada de meu transplante, toda a enfermaria estava preocupada comigo, mas não me importava, chamei meus filhos que se mergulhavam em lagrimas e desafiei-os a uma partida de pôquer. Assustados me perguntaram se não estava preocupada com minha saúde, e eu respondi a eles com muita calma.
Os dias se passaram e nada de meu transplante, toda a enfermaria estava preocupada comigo, mas não me importava, chamei meus filhos que se mergulhavam em lagrimas e desafiei-os a uma partida de pôquer. Assustados me perguntaram se não estava preocupada com minha saúde, e eu respondi a eles com muita calma.
“- Existem coisas em nossa vida que acontecem por um acaso, podemos reclamar e julgar injustiça de Deus, mas não é! Essa esta sendo o momento mais feliz da minha vida”.
Minha filha assustada perguntou porquê e eu lhe respondi com toda a paciência enquanto uma lagrima caia em meu rosto.
“- Pois foi aqui que aprendi o verdadeiro valor da vida e o verdadeiro sentido dela, que é estar com vocês!”.
Segurei a mão de Joana e João e meus olhos se fecharam até cair na inconsciência.
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